Frustração: como ajudar os jovens a lidar com esse sentimento?

É importante demonstrar empatia, criar espaços para que eles expressam suas emoções e falar sobre a definição de metas realistas que podem ser alcançadas

Na jornada da adolescência, os jovens são frequentemente confrontados com uma série de desafios emocionais que moldam seu jeito de ser e influenciam suas escolhas futuras. Entre falhas, obstáculos, erros e aprendizagens, a frustração é um sentimento comum.  

Em algumas situações, a frustração pode estar ligada ao alcance de metas inacessíveis. No contexto educacional, a exigência de ganhar fluência no inglês em um curto espaço de tempo ou passar no vestibular para um curso muito concorrido sem a preparação adequada são alguns exemplos. Por isso, é importante ajustar as expectativas à realidade e ter flexibilidade em adaptar os objetivos de acordo com as circunstâncias. 

O que é frustração? 

A frustração é uma experiência emocional negativa que surge quando expectativas não são realizadas ou objetivos e desejos não são alcançados. Pode ocorrer a partir de situações inesperadas, rejeições, impossibilidade de atingir determinados objetivos ou circunstâncias que fogem do controle da pessoa.  

Esse sentimento pode se apresentar de várias maneiras, como irritação, tristeza, raiva ou desânimo, e tem o potencial de impactar negativamente o bem-estar emocional e mental dos indivíduos, sobretudo dos adolescentes. 

A frustração no ambiente escolar

De acordo com um mapeamento conduzido em 2022 pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em colaboração com o Instituto Ayrton Senna, 67% dos estudantes entrevistados afirmaram sentir-se pouco ou nada aptos a praticar a competência de tolerância à frustração. Participaram da pesquisa 642 mil alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio. Os jovens relataram dificuldades em controlar sentimentos de raiva e irritação em situações adversas. 

Ensinar a lidar com essas emoções também é função da escola. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que determina as aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver ao longo da vida escolar, estabelece, entre as 10 competências gerais da educação básica, o autoconhecimento e o autocuidado. “Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas”, propõe o documento. 

A tolerância à frustração faz da parte da macrocompetência resiliência emocional, que diz respeito à habilidade de gerenciar as próprias emoções e manter o controle em situações de raiva, insegurança e ansiedade, por exemplo. Esses sentimentos são naturais e fazem parte da vida. Eles não devem ser encarados como obstáculos, mas como oportunidades de aprendizagem e de crescimento

Como lidar com a frustração?

Educadores e professores podem ajudar os estudantes a lidar com as frustrações contribuindo para o seu desenvolvimento emocional e pessoal. Algumas estratégias para oferecer suporte nesse processo são: 

  1. Espaço para compartilhamento de ideias e emoções: proponha atividades, como rodas de conversa, nas quais os estudantes possam se expressar e trocar experiências sobre como lidar com sentimentos como raiva, ansiedade e frustração.
  1. Gerenciamento das emoções: ajude os alunos a reconhecer e expressar suas emoções de forma saudável. Isso pode incluir ensiná-los a identificar e nomear seus sentimentos, bem como a encontrar maneiras construtivas de lidar com eles, como por meio da escrita, da arte ou da prática de exercícios físicos.
  1. Visão positiva: ensine os estudantes a encarar a frustração como uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Destaque que enfrentar desafios e superar obstáculos fortalece a resiliência e a capacidade de lidar com situações adversas no futuro.
  1. Paciência e empatia: esteja presente para seus alunos durante os momentos difíceis, oferecendo suporte emocional e compreensão.
  1. Estabelecimento de metas realistas: ajude os estudantes a definir metas alcançáveis e mensuráveis, levando em consideração suas habilidades e limitações. Ao estabelecer objetivos realistas, eles direcionam seus esforços de forma produtiva, evitando a frustração.

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