Afinal, qual é o papel do professor?

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13 de novembro, 2019

A palavra professor originou-se do termo em latim professus, que significa algo como “indivíduo que declara em público” ou “pessoa que declarou publicamente”. Essa etimologia carrega consigo muito do papel que o professor desempenhou por tanto tempo, como alguém que transmite conhecimento a um público – no caso, seus alunos. Mas será que esse é, de fato, o papel do professor atualmente?

Hoje, a realidade social, educacional e tecnológica é muito diferente daquela de 50 anos atrás. Por isso, mudanças no papel do professor devem ser encaradas como naturais para acompanhar esse cenário.

Como veremos a seguir, a ressignificação do papel do professor torna sua atuação ainda mais essencial no processo de ensino-aprendizagem e estratégica para um desenvolvimento mais integral do aluno enquanto futuro cidadão crítico, criativo, participativo e pensante.

Breve histórico o papel do professor

O papel do professor está, em boa medida, relacionado com a evolução da informação na sociedade ao longo de nossa história – portanto, essa associação não é de hoje.

Com o aperfeiçoamento da escrita, o modo de produzir e transmitir informações foi revolucionado. Com o objetivo de difundir essas informações à sociedade, os professores começaram a conquistar espaço, atuando como tutores com alto grau de conhecimento. 

Nesse momento, como é possível imaginar, o ensino era fortemente alicerçado no que o tutor da criança considerava ser importante que ela aprendesse e em sua versão de tais conhecimentos.

No entanto, a demanda por esse serviço cresceu e, assim, salas de aula começaram a ser instituídas. No Brasil, um marco importante foi um decreto imperial de D. Pedro I, no ano de 1827, que determinava que “todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”. Após isso e por muito tempo ainda, fez parte do papel do professor atuar como uma espécie de filtro das informações que deveriam ser transmitidas aos jovens. 

Até aqui, o acesso às informações não era tão democrático ou facilitado, demandando do professor o papel de buscar, assimilar, selecionar e transmitir conhecimentos aos alunos. Esse cenário foi revolucionado com o surgimento dos computadores domésticos e da internet, principalmente entre o final dos anos 1990 e início de 2000, quando o acesso à rede mundial foi mais fortemente consolidado, assim como o uso de celulares.

Com isso, as possibilidades de acesso direto às informações aumentaram de modo exponencial. E esse fato contribuiu para que o papel do professor pudesse e precisasse ser também atualizado.

Que tal fazermos um paralelo? Há alguns anos, muitos de nós esperávamos o jornaleiro entregar a edição do dia para obtermos informações “atualizadas”. Hoje, a nossa noção de dado “atualizado” mudou muito, com a cobertura minuto a minuto que podemos encontrar facilmente na internet. Isso é, temos acesso ágil e facilitado à informação que precisamos. O mesmo ocorre com os jovens, que não precisam mais aguardar o professor buscar, selecionar e decupar informações para eles. E então, isso é ou não é uma grande mudança de paradigma?

O multifacetado papel do professor nos dias de hoje

A partir de mudanças como as que vimos, o papel da escola, dos alunos e dos professores mudou expressivamente. Mas, o papel do professor é e sempre será o de ensinar, certo? Sim e não. Hoje, o professor assume diversas frentes em sala de aula. Veja só:

1. Papel de servir de modelo para o aluno

A mimetização é uma das primeiras formas de aprendizado exploradas pelas crianças. Elas enxergam e imitam em boa medida o comportamento dos adultos com os quais têm contato – incluindo o professor. 

Aqui, aquela máxima de que uma ação pode valer mais do que mil palavras mostra-se relevante, já que tudo o que o adulto faz transmite uma mensagem poderosa à criança. 

Desse modo, esse profissional serve de exemplo para os alunos e um dos seus papéis é utilizar esse fato em favor do aprendizado. Uma das formas possíveis para isso é utilizar a chamada modelação, uma ferramenta de orientação por meio da qual a atitude do professor se torna um exemplo mais consciente e estimulado para o aluno. Com ela, as orientações são complementadas por uma ação que dê o exemplo de comportamento esperado, por exemplo. 

2. Papel de mediador

Com o crescimento da adoção das metodologias ativas de aprendizagem – aquelas que colocam o aluno como protagonista na construção de seu conhecimento, participando ativamente de seu desenvolvimento -, cada vez mais o papel do professor também será o de um mediador.

Naturalmente, essa ressignificação pode levar a inseguranças de todas as partes, já que tanto alunos quanto professores e familiares estão acostumados, de forma geral, a perceberem o professor como quem planeja a aula e transmite conhecimento, que será testado e avaliado por meio de testes que reforçam seu papel de detentor único das informações. Mas, ao se experimentar essa nova dinâmica, os benefícios para todos são rapidamente detectados.

3. Papel de designer de caminhos

Como vimos, o papel do professor nos dias de hoje passa por orientar o aluno em sua jornada de aprendizado. E, para isso, ele atua como uma espécie de designer que projeta atividades e desafios para ajudar na condução nessa trilha.

Ainda, quando o aluno apresenta dúvidas ou dificuldades, o papel do professor não é o de apresentar a solução pronta para a questão, mas indicar um caminho a ser percorrido pelo estudante para que ele desenvolva a resolução. 

4. Papel do professor enquanto curador

O professor também exerce atividades de curador, que pesquisa e define informações, recursos e tarefas que sejam relevantes para o perfil heterogêneo de alunos de sua turma, ajudando-os a construírem um sentido nesse mosaico de estímulos a que foram expostos.  

5. Papel de motivador

Outro importante papel do professor é o de mobilizar, estimular, sustentar e ampliar o desejo de aprender nos alunos. A curiosidade e o prazer de aprender e se desenvolver são combustíveis poderosos para impulsionar, agilizar e qualificar o processo de aprendizagem de qualquer pessoa. Com os jovens, isso não é diferente. 

6. Papel de maestro

Em uma orquestra, o maestro ajuda a promover a harmonia entre todos os instrumentistas, faz a marcação de ritmo e do andamento, decodifica toda a complexidade das partituras e auxilia seus músicos a atuarem sinergicamente em conjunto.

Na sala de aula, o professor faz algo semelhante, sendo um “regente de pessoas”, orquestrando diversas variáveis para ajudar os alunos a demonstrarem seu talento – que é potencializado quando eles conseguem trabalhar colaborativamente. 

7. Papel de estimular o aprender

Esse pode parecer o papel mais óbvio do professor. No entanto, muito mais do que estimular o aprendizado de conhecimentos teóricos e técnicos, o professor estimula o aluno a “aprender a aprender”, “aprender a fazer”, “aprender a ser” e “aprender a conviver”, entre outros ensinamentos.

Desse modo, diante de um cenário no qual informações são criadas  e atualizadas diariamente e que conhecimentos decorados tornam-se ultrapassados rapidamente, é também papel do professor formar “aprendedores”, cidadãos que saibam como aprender e obter os dados que eles precisam para criar o conhecimento necessário. 

8. Papel de coach

Pode-se compreender que o professor também atua como uma espécie de coach de seus alunos. Isso porque ele precisa compreender as necessidades em específico dos estudantes, de modo a encontrar os gatilhos certos para estimulá-los e motivá-los para alcançarem seus objetivos de aprendizado e o desenvolvimento de habilidades e potenciais.

9. Papel de aprendiz

Sim, quem ensina também aprende! Em diversos momentos, na sala de aula, os papéis se invertem: os alunos ensinam algo para o professor. E isso torna a experiência de todos ainda mais próxima, rica e positiva.

O professor deve estar aberto para fazer trocas com o aluno, a aprender mais sobre ele, sobre suas preferências, sua comunidade, novidades tecnológicas ou até mesmo sobre quais séries e filmes eles recomendam.

Tudo isso ajuda o professor a projetar encontros mais contextualizados às demandas e realidades de suas turmas, utilizando recursos, linguagem e metodologias que sejam mais aderentes ao perfil dos estudantes e às suas preferências.

10. Papel de atuar em parceria com a família

Pais e professor podem – e devem! – atuar de modo articulado para promover resultados ainda melhores no aprendizado e desenvolvimento da criança. 

Apenas um desses elementos não é suficiente para suprir integralmente as necessidades educacionais, sobretudo na primeira infância. Por isso, a relação entre pais e professores é essencial. De modo conjunto, um ajuda e reforça a atuação do outro em prol do bem-estar, da motivação e do aprendizado da criança. 

Nesse ponto, mostra-se importante salientar que, como o professor passa um período de tempo expressivo junto aos jovens, em situação social, diferentemente daquelas vivenciadas com a família em ambiente doméstico, ele também poderá apresentar uma visão bastante rica sobre o comportamento do aluno e ajudá-lo no desenvolvimento dessa outra dimensão formativa.

Outra questão importante é que, com as metodologias ativas e o ensino híbrido (que combina atividades on e offline, na escola, em casa, etc.), o apoio dos pais e seu alinhamento com o professor mostram-se ainda mais cruciais para um desenvolvimento integral e mais ágil da criança.

Na Red Balloon, levamos muito a sério a escolha de profissionais. Valorizamos o professor qualificado e empenhado em ser e fazer o melhor pelo seu filho. Que tal oferecer essa oportunidade única para seu pequeno?

E para você, qual é o papel do professor? Lembra de algum aspecto que se destaque na atuação desse profissional e que não incluímos aqui? Deixe sua mensagem nos comentários!

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