4 dicas para ensinar educação financeira para crianças

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Engana-se quem pensa que educação financeira para crianças é um assunto difícil de se ter em casa ou uma matéria dispensável na escola. Afinal, a infância é a fase ideal para introduzir a base de todos os conhecimentos que farão parte da vida adulta do seu pequeno — e instruí-lo sobre o uso do dinheiro nos primeiros anos de vida ajuda a desenvolver indivíduos bem-sucedidos. 

Controlar as finanças domésticas pode parecer um desafio para os que nunca tiveram contato com o mundo financeiro e entendem pouco sobre economia. No entanto, essa é uma habilidade essencial para quem precisa administrar o próprio salário e equilibrar gastos e despesas — e essa necessidade dobra para quem tem ou pretende ter o próprio negócio.

Além disso, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), criada pelo MEC, estabelece que a educação financeira deve ser ensinada em escolas públicas e privadas. As instituições de ensino extracurriculares, o que inclui escolas de idiomas como a Red Balloon, também conseguem incluir a temática muito bem em seus planos de aulas.

Por isso, como mostraremos no decorrer deste manual, quanto antes a educação financeira infantil for introduzida na família melhor será para o futuro da garotada!

A importância da educação financeira infantil

Atualmente, 65% das famílias brasileiras estão endividadas. O Brasil está entre os últimos colocados no ranking mundial quando se trata de educação financeira, segundo a Associação de Educação Financeira do Brasil. Logo, esse cenário pode ser resultado da ausência de uma educação financeira na escola.

A verdade é que a ideia — ainda muito popular — de que o mundo das finanças é complexo e difícil de entender não passa de um mito que associa as economias domésticas aos grandes cálculos matemáticos e investimentos arricadíssimos. Mas, entenda: o ensino básico de finanças não precisa ser nada complexo, muito pelo contrário.

Embora exista uma legislação recente e específica no Brasil sobre a educação financeira para crianças — sobre a qual falaremos mais adiante —, ainda fica a cargo da família abordar a temática e permitir que os pequenos tenham suas primeiras experiências com o dinheiro — mesmo que limitado a datas e situações definidas — e entendam que administrar as contas da casa ou até mesmo de um pequeno empreendimento não precisa ser um trabalho cansativo.

Ensinando educação financeira para crianças

Não existe uma fórmula única para ensinar educação financeira infantil, pois tudo depende muito dos hábitos da família, das práticas de economia e poupança já adotadas pela mesma e, especialmente, da idade de cada um dos filhos. 

Afinal, o entendimento sobre o que é e a importância do dinheiro muda de acordo com o desenvolvimento cognitivo na infância.

No entanto, existem inúmeros recursos didáticos e recreativos que vão lhe ajudar nessa tarefa com os filhotes de forma divertida e simplificada, e é claro que separamos para você as melhores dicas e sugestões de como trabalhar a educação financeira para crianças em cada etapa. Olha só:

Na primeira infância

Dos 3 aos 5 anos de idade, o ideal é que os pequenos aprendam a função do dinheiro e como ele pode ser conseguido, mas até aqui nada de mesada, ok? 

Afinal, ainda é cedo para exigir que as crianças saibam administrar uma quantia fixa de dinheiro, uma vez que elas ainda não possuem noção de quantidade, valor e estão na fase inicial do ensino de números e contas.

Dar uma pequena quantia diária — como R$ 2,00 ou R$ 5,00 para a compra de lanches ou doces na escola — e explicar que tudo tem um preço para ser adquirido, é um bom começo para trabalhar a educação financeira para crianças na primeira infância. 

Ah, e lembre-se que nessa idade o exemplo dos pais é a maior fonte de aprendizado dos pequenos.

Dos 6 aos 12 anos

A partir dos 6 anos, a educação financeira pode ganhar passatempos mais lúdicos e práticos, como brincadeiras, atividades teóricas e a famosa mesada. 

O cofrinho de moedas também é um estímulo muito interessante para a garotada e extremamente funcional, pois, além de incentivar a economia, a quantia acumulada pode ser utilizada para conquistar um brinquedo ou algum outro objeto desejado pelo menor.

É importante frisar que as brincadeiras e jogos adotados durante essa fase serão seus grandes aliados para conquistar o interesse pela educação financeira infantil e podem acompanhar o desenvolvimento dos filhotes até a adolescência. 

Ou seja, vale usar e abusar da criatividade para variar, testar e inventar as dinâmicas mais divertidas sobre finanças e economia.

Na adolescência

Dos 13 anos em diante, é comum que seu filho necessite de uma mesada um pouco maior, o que requer ainda mais responsabilidade para administrar o valor. 

Nessa fase, a educação financeira infantil deve começar a conciliar o ganho de dinheiro através da troca de alguma tarefa doméstica ou escolar que o jovem realize.

Aqui, conversar sobre empreendedorismo, uso de crédito e erros mais frequentes no controle das finanças domésticas é indispensável. Por isso, contar com o auxílio de um profissional da área para ensinar sobre o assunto pode ser um diferencial. 

E claro, a experiência é fundamental para que seu filho saiba conter gastos desnecessários, evitar o consumismo e aprenda a estabelecer metas e estratégias para conquistar algum bem.

4 brincadeiras sobre educação financeira

Como mencionamos acima, os jogos e dinâmicas são seus principais aliados na educação financeira para crianças, pois conquistam a atenção da família inteira de maneira descomplicada, divertida e ainda despertam o raciocínio lógico. 

Abaixo, para inspirar os momentos de lazer e aprendizado com os filhotes, listamos quatro brincadeiras sobre educação financeira que podem usadas em qualquer idade:

Porquinhos da economia

Que tal separar três cofres de porquinhos — ou qualquer outro formato atrativo para as crianças — e etiquetar cada um deles com nomes como “agora”, “metas e desejos” e “futuro”? 

O primeiro cofrinho servirá para guardar moedinhas e dinheiros trocados para utilizar no dia a dia, em lanches na escola ou em pequenos itens de papelaria, por exemplo. O segundo terá a função de armazenar o valor para compras mais caras, enquanto o terceiro é destinado a planos que se realizarão a longo prazo.

Para fazer jus à proposta da educação financeira infantil, o ideal é que as quantias depositadas em cada cofrinho tenham sido adquiridas por meio de tarefas concluídas pela criança, como uma semana de cuidados com o jardim de casa, um período auxiliando irmãos com tarefas escolares ou ainda através da organização dos brinquedos e do material escolar dentro de determinado tempo. Cabe aos papais e responsáveis decidirem quais serão as tarefas e o valor atribuído a elas.

Jogo de tabuleiro de simulação

Os clássicos jogos de tabuleiro que simulam a compra e venda de imóveis são uma das mais famosas brincadeiras sobre educação financeira. 

Afinal, a dinâmica destes games promove a importância de tomar decisões corretas na hora de investir, adquirir ou vender propriedades seguindo as normas e o objetivo final entre os competidores.

Outras brincadeiras ainda podem simular a vida dos jogadores de maneira mais completa, com decisões pessoais em busca do sucesso profissional e financeiro. Esses passatempos introduzem a educação financeira para crianças de maneira leve, mas ainda assim muito eficiente, pois exige estratégia, familiarização com as normas, com valores e até com termos muito utilizados na economia.

Mercadinho de brinquedo

A criatividade dos pequenos é ótima para ajudar na hora de adotar brincadeiras para educação financeira infantil, como as lojinhas ou mercadinhos imaginários. E o melhor é que você só precisa providenciar o dinheiro fictício e colocar “à venda” os próprios brinquedos e objetos de casa para o seu filhote começar a comprar.

A brincadeira fica ainda mais interessante se bem contextualizada, contando com um emprego e até um salário imaginário para a criançada ficar ainda mais entretida. Em resumo, faça do momento um verdadeiro universo divertido para toda família participar e aprender.

Jogo de administração online

É claro que os jogos virtuais não podem ficar de fora da educação financeira para crianças, não é mesmo? 

Afinal, os computadores e smartphones estão repletos de opções de games para administrar fazendinhas, cafés, restaurantes ou cidades inteiras. Neles, cada missão concluída pela boa administração das moedinhas virtuais faz o jogador passar de nível e poder incrementar uma função ou novos equipamentos ao seu neǵocio, o que pede estratégia e raciocínio do participante.

Esse tipo de game ajuda na educação financeira infantil, pois ensina os menores sobre negócios, o que é uma oportunidade divertida para despertar também, de forma natural, a curiosidade dos pequenos pelo empreendedorismo — e quem sabe até começarem a trilhar seus primeiros passos em busca do próprio business.

Educação financeira na escola? Sim!

Como mencionamos no início deste manual, a BNCC diz que o ensino de educação financeira em escolas públicas e privadas é obrigatório, embora não precise ser aplicado em uma disciplina exclusiva, mas sim incluída em uma já existente — no caso, a matemática — a partir do ensino fundamental até o médio.

No entanto, as demais matérias — como geografia, história e língua portuguesa — podem utilizar os recursos da interdisciplinaridade escolar e trazer a educação financeira para crianças.

Isso significa que, além de todas as dicas que você acabou de conhecer para introduzir a educação financeira infantil no dia a dia do seu pequeno, você ainda poderá contar com a contribuição da escola do seu filho para ensinar cálculos, estratégias e conceitos a respeito da economia doméstica, além do incentivo à independência financeira, seja por meio de uma poupança bem estruturada, seja através de investimentos ou do apoio ao empreendedorismo.

Viu só como a educação financeira para crianças não é nenhum bicho de sete cabeças? Com alguns conhecimentos básicos sobre gastos e finanças você pode incrementar o assunto na rotina dos pequenos, colocar tudo em prática com brincadeiras animadas e ainda ter em casa um(a) administrador(a) mirim. Afinal, somar aprendizado e diversão nunca foi tão fácil!

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