Ansiedade infantil: como identificar e minimizar

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É natural que certos medos surjam durante o crescimento das crianças, incluindo o receio de dormirem sozinhas, de ficarem no escuro, de irem à escola ou até mesmo a preocupação com personagens e acontecimentos imaginários. Porém, não é normal — e nem saudável — que o pequeno se mantenha em constante estado de alerta. Se o seu filho apresenta algum desses comportamentos, saiba que a causa pode ser a ansiedade infantil.

É importante destacar que é possível diagnosticar a ansiedade infantil em diversas etapas do desenvolvimento da criança. Devido ao aumento no número de pacientes na primeira fase da vida, os profissionais da saúde não esperam mais até a adolescência para iniciarem o tratamento. Afinal, quanto antes o problema for descoberto, melhor será para a autoestima do pequeno, que poderá voltar a ter uma vida tranquila e saudável. 

E como a Red Balloon se preocupa também com a saúde mental da garotada, criou um guia completo sobre esse tema, com dicas valiosas para ajudarem os pais driblar o problema. Confira a seguir! 

O que é ansiedade infantil e como a doença afeta as crianças

A ansiedade infantil é a preocupação excessiva, ou até mesmo o medo, de uma criança perante a determinadas situações cotidianas, como o receio de ir à escola e o medo de insetos, de barulhos ou do escuro, por exemplo.

Certos receios são naturais durante o crescimento de cada indivíduo. Por isso, o papel do adulto é entender e explicar — com a melhor didática para a idade — que aquela fobia não é necessária, fazendo com que o pequeno veja a situação de outra ótica e aprenda a lidar com ela.

É considerado ansiedade infantil quando a criança não quer dormir sozinha após os 7 anos de idade; quando continua com um medo irreal de ir à escola; quando sente pavor de animais inofensivos, como cachorros e gatos; ou têm pânico de determinados sons, podendo até mesmo ser apenas uma bexiga estourando ou fogos de artifício. Além disso, vale frisar que o comportamento irritadiço de uma criança com ansiedade faz com que seu desenvolvimento seja prejudicado, já que pode atrapalhar a concentração nos estudos ou em se relacionar com os coleguinhas e professores.

O principal sintoma da ansiedade infantil é um constante estado de alerta, como se a criança não conseguisse relaxar em nenhum momento. O apego aos responsáveis se torna excessivo, resultando em choros intensos quando os pais precisam sair, na falta de atenção no ambiente escolar, na dificuldade de socialização, entre outros. 

Como identificar a ansiedade infantil

A pergunta que os adultos devem se fazer é: houve algum acontecimento fora do comum ou situações estressantes em que a criança esteve presente? Afinal, é normal vermos uma criança ansiosa em momentos difíceis da vida ou alterações repentinas na rotina, por exemplo.

Vale destacar que até mesmo lares mais estáveis podem ocasionar ansiedade em crianças, principalmente devido ao excesso de estímulos, que fazem a criança não saber o momento de relaxar, parar de estudar ou de absorver informações do seu redor. Ou seja, não é apenas mudanças de rotinas ou períodos conturbados que causam a ansiedade infantil e ela pode se fazer presente, de uma hora para outra, em qualquer família.

Para saber se o seu filho sofre desse problema, alguns dos principais sinais são:

Medo que se transformou em uma fobia

Como já dissemos algumas vezes ao longo do guia, crianças terão medos, mas aprenderão que podem se defender ou saberão que o problema em questão não é tão grandioso quanto parece — como é o caso do processo de dormir sozinho ou no escuro. 

Porém, quando o medo parece que vai dominar a vida do seu pequeno e impede-o de brincar, amadurecer e até mesmo entrar em alguns locais, é provável que tenha se tornado uma fobia, e aqui uma terapia será necessária para reverter tal sentimento.

Criança ansiosa fica “ligada” o tempo todo

Principalmente por conta do universo digital, algumas crianças disfarçam a ansiedade infantil atrás dos eletrônicos, deixando de descansar para jogarem videogames ou passar a noite assistindo vídeos nos smartphones. Este hábito pode ser o sinal de algum medo irracional de dormir ou de que algo ruim possa acontecer com seus pais e consigo. 

Portanto, se o uso de eletrônicos está acima do saudável, uma conversa franca somada a limitação desses equipamentos e a ajuda de um(a) terapeuta cognitivo-comportamental serão fundamentais. 

A ansiedade da separação também é um sinal

Os pais precisam de momentos para si, como sair para trabalhar e cuidar de outras responsabilidades que não envolvem a criação de um filho. Porém, a ansiedade infantil também pode estar presente no que chamamos de “ansiedade da separação”, onde a criança não aceita ficar junto de outros familiares ou cuidadores — e muito menos sozinhas. Nesses casos, vale avaliar se existe algum acontecimento marcante dentro daquele local e assim buscar profissionais para orientar o pequeno e toda a família.

Os ataques de pânico podem estar presentes

Imagine uma criança com respiração ofegante, coração disparado, tremores nas mãos e chorando excessivamente por conta de um problema simples. Assim é um ataque de pânico, presente na ansiedade infantil e que pode aparecer sem motivo aparente ou por conta de um gatilho devido a qualquer pequena mudança na rotina do pequeno. 

Essas crises precisam ser levadas a sério e devem ter um diagnóstico clínico de psiquiatra especializado em crianças para realizar o tratamento e devolver a tranquilidade e bem-estar ao menor. Portanto, fique de olho e saiba diferenciar choros manhosos de choros de pânico, ok?

Queda no rendimento escolar

Um dos maiores problemas da ansiedade infantil é a total exigência e perfeccionismo da pessoa em todos os afazeres ao mesmo tempo que o seu rendimento baixa. Ou seja, o filho se cobra muito — mais do que o necessário —, porém procrastina, adia as tarefas e sente medo das responsabilidades, fazendo com que as notas escolares caiam e ele entre em um estado depressivo — além de um ciclo vicioso e repetitivo de preocupação versus falta de produtividade.

Atente-se às regressões no comportamento

Imagine que seu filho, no auge dos 4 ou 5 anos, volte a urinar ou evacuar na roupa como forma de chamar atenção. Ou então, que ele volte a pedir mamadeira, chupeta e alguma outra condição específica da primeira infância. Se isso estiver acontecendo na sua casa, vale buscar ajuda especializada para verificar se é um comportamento de criança com ansiedade e entender como voltar à rotina normal de acordo com a idade do pequeno.

Conversas sobre medos irracionais

Além das fobias que já vimos no primeiro tópico, na ansiedade infantil é comum que a criança tenha medos irracionais. Falar sobre o pavor de ficar sozinho(a), de perder entes queridos ou contrair alguma doença perigosa é um motivo que deve ser avaliado, principalmente se o pequeno não possui nenhum diagnóstico de problema de saúde ou luto recente.

Criança com ansiedade: como ajudá-la a controlar a doença

Se o seu pequeno foi diagnosticado com ansiedade infantil, algumas mudanças — principalmente na relação familiar — devem ser inseridas juntamente ao tratamento médico, para que assim os resultados surjam mais rapidamente e ela possa ter um desenvolvimento saudável e mais independente.

Para ajudar os pais a inserirem um dia a dia que controle esse sentimento de ansiedade infantil em seus filhotes, listamos algumas dicas que farão a diferença imediata. Ah, e esses tópicos podem ser aplicados também durante o isolamento social, em que os pequenos estão mais tempo dentro de casa e sentem-se ansiosos, ok?

Incentive seu filho a fazer terapia

Mesmo que a sua rotina seja cheia de compromissos, insira um horário a sós com o pequeno e, dependendo da gravidade, vale cancelar obrigações menos importantes para se divertirem e passarem um tempo juntos. Também é recomendado incentivar um tratamento psicológico infantil, além da terapia familiar com todos da casa, pois isso evitará que o problema retorne futuramente. 

Como as crianças não têm conhecimento emocional para conversarem com os pais sobre seus sentimentos, a ansiedade infantil aparece como junção do que não é dito. Assim, estar presente na terapia — ou em contato com o profissional, caso o menor opte por fazer as sessões sozinho e ter privacidade — auxiliará a entender o que e como fazer.

Use a disciplina positiva

Elogie as boas notas e o bom comportamento na escola, presenteie a criança em momentos especiais, mas não se limite a apenas mimá-la. Ou seja, faça também cobranças através da disciplina positiva, recompensando-a quando fizer as coisas corretas, como arrumar o quarto e cumprir suas obrigações de estudos.

Ah, e não deixe de acompanhar as tarefas escolares e de conversar com os professores para saber o progresso do pequeno no tratamento da ansiedade infantil. 

Cerque-se de profissionais que valorizam a infância

A participação de psicólogos e de professores — tanto da escola e quanto dos cursos extracurriculares — que compreendam o desenvolvimento infantil e saibam lidar com a ansiedade infantil é fundamental, pois assim, ao verem certos comportamentos disfuncionais, saberão que não se trata de uma falta de educação, motivando o pequeno e agindo com a dinâmica certa em alinhamento com os pais e o diagnóstico médico.

Invista em cursos e atividades extracurriculares

A rotina familiar e escolar são importantes, porém é essencial que seu filho possa extravasar a energia de outras formas, seja praticando um esporte — mesmo que dentro de casa e seguindo vídeos em canais do YouTube para crianças —, seja aprendendo um novo idioma em escolas de inglês especializadas para crianças, como a Red Balloon

Assim, além dos pais estarem investindo no futuro e no bem-estar do seu pequeno, também farão algo para manter a saúde emocional do pequeno em dia, já que o menor estará se distraindo com atividades realmente produtivas e benéficas, e não somente nas telas com os videogames. 

Entenda que às vezes a medicação pode ser necessária

É importante ter a compreensão de que, em alguns casos mais graves, o psiquiatra poderá recomendar alguns medicamentos. Contudo, na maioria das situações, a terapia por si só pode solucionar o problema, por isso fique tranquilo!

Como você pôde ver neste guia, a ansiedade infantil, o medo e a tristeza farão parte do crescimento do pequeno, mas elas não podem ser em excesso. Afinal, mesmo que certos acontecimentos obriguem os menores lidarem com as frustrações de forma impactante — e isso envolve o nascimento de um irmão, a separação dos pais, entre outras circunstâncias sociais comuns —, quando os sentimentos tornam-se pânico e paralisam a criança, é preciso atenção. 

Assim, ter um acompanhamento terapêutico e suporte dentro de casa — além de incentivo à hobbies que tragam tranquilidade, como a prática de leitura, de cursos extracurriculares e de esportes — farão com que a saúde mental do pequeno se mantenha em dia e ele seja verdadeiramente feliz. E é isso o que você mais deseja, não é mesmo?

E você, conhece alguma outra técnica de como minimizar a ansiedade infantil? Deixe sua mensagem abaixo e contribua com nossa discussão. Até a próxima!


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