O que é aluno protagonista?

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Ser aluno protagonista ou coadjuvante: o que é potencialmente mais benéfico para o seu filho? No modelo convencional de ensino, o professor toma a frente do processo de aprendizado do aluno, transmitindo conhecimentos que são recebidos de modo passivo pelo estudante que, aqui, é coadjuvante do processo. 

No entanto, as metodologias ativas têm questionado isso e apresentado abordagens muito mais modernas, eficientes e alinhadas às demandas atuais da sociedade, tirando o professor “do palco” e colocando-o ao lado do aluno, guiando-o em seu processo de aprendizagem. 

Que tal descobrir mais sobre essa proposta? A seguir, saiba o que é aluno protagonista, os benefícios disso e compreenda como as metodologias ativas de aprendizado estão proporcionando essa e outras quebras de paradigma na educação. Acompanhe!

Contexto de mudanças que levaram à centralidade do aluno protagonista

A escola, com o formato que conhecemos hoje, começou a se moldar ainda na Idade Média. Nesse período, se adquire nesses espaços conhecimentos sobre técnicas produtivas e outras orientações para o trabalho. Com o surgimento da burguesia, a escola passou a ser local para aquisição de conhecimentos mais abrangentes e um espaço mais elitizado.

No entanto, com a Revolução Industrial, que demandou uma massa de trabalhadores instruídos para determinadas tarefas produtivas e para a operação das máquinas, o acesso à escola deixou novamente de ser elitizado, fornecendo a oportunidade para o proletariado aprender a ler, escrever, contar, etc.  

De lá para cá, o espaço escolar consolidou-se como o local para obtenção de conhecimento, tendo o modelo medieval ainda presente em diversas práticas da educação formal. 

Entretanto, sobretudo nos últimos 30 anos, vimos transformações profundas modificarem o ambiente produtivo e as relações humanas. Porém, em muitos casos, as escolas continuaram formatadas para sanar necessidades de um tipo de sociedade que já não existe mais. 

Os estudantes do século XXI são nativos digitais, instrumentalizados para aprender por meio de múltiplos canais de informação. Para eles, não faz sentido não utilizar para aprender e estudar a mesma tecnologia que usam para se comunicar com os amigos, por exemplo. 

Essa é uma geração que aprendeu desde cedo a não somente ouvir, mas a interagir, pesquisar, criticar e construir seu conhecimento. Com isso, gargalos significativos foram evidenciados no modelo mais convencional de ensino, que, cada vez menos, apresenta resultados para a educação e o desenvolvimento das pessoas.  

Inovações como a internet estão mudando e reconfigurando constantemente a dinâmica de nossa vida. E o processo de ensino-aprendizagem não está descolado disso. Hoje, já não é possível conceber a escola como o único espaço para se adquirir conhecimento, o professor como a fonte de informação predominante, a biblioteca como o meio de acesso central à cultura de outros lugares e como um catálogo do que já se conhece. 

Com isso, uma formatação de ensino que ainda esteja embasada nisso e na premissa de que é somente por meio da escola que o aprendizado formal se concretiza mostra-se defasada e não atrativa para o novo perfil de alunos.

Por isso, as escolas estão se readequando para atuarem como locais de produção e significação de conhecimento para o aluno, que já não espera receber apenas informações prontas nesses espaços, mas orientações do professor principalmente sobre como fazer uso e organizar esse amplo espectro de dados disponíveis a um clique de distância para atingir objetivos específicos. 

Afinal, o que quer dizer aluno protagonista?

Quantas vezes seu filho já não chegou na aula de história tendo alguma ciência sobre os fatos a serem estudados por ter visto uma série em um serviço de streaming, ter jogado um game que se passava na mesma época ou, mesmo, por ter feito uma pesquisa na Wikipedia? 

Esse comportamento comum é natural dos nativos digitais e do aluno protagonista. Para esses estudantes, a escola, nem sempre, será o local de partida no processo de ensino-aprendizagem, podendo estar no meio ou, mesmo, no fim desse processo. 

Por isso, metodologias ativas de aprendizagem, como o ensino híbrido – no qual  se utiliza tanto aprendizado online quanto offline e momentos de estudo individual em casa e em grupo em sala de aula têm apresentado bons resultados com esse perfil de estudante.

A partir de tudo isso, podemos compreender o aluno protagonista como aquele que está no centro de seu desenvolvimento e de seu processo de aprendizagem. Ele é o agente principal de seu aprendizado, autônomo, curioso e comprometido com seu desenvolvimento. 

O aluno protagonista, ainda, é o que extrai conhecimento a partir de suas experiências e vivências. Ele é incentivado, acompanhado e orientado pelo professor na escola a partir de sua forma específica de aprender. 

Com isso, ele não apenas memoriza e absorve conhecimentos, como também agrega e constrói. Ele executa diversas ações para isso, tais como pesquisar, debater, ponderar, criar hipóteses, produzir projetos, entre tantas outras. 

Esse conceito de aluno protagonista também considera que o professor deve atuar como um mediador entre o aluno e o conhecimento e que o estudante não é somente um aprendiz, mas alguém que também traz consigo conhecimentos prévios que devem ser considerados e valorizados no ambiente escolar. 

Ainda, tem-se que o ensino deve ser algo dinâmico e não estático, apenas com o aluno servindo de ouvinte e “copiador” do que é escrito na lousa pelo professor. Entende-se que, para haver aprendizado, o aluno deve envolver-se ativamente com o processo, realizando interações com o professor e trilhando o caminho de aprendizagem que mais estiver alinhado com a sua forma de aprender. 

Aqui, é importante ressaltar que o aluno protagonista não se contrapõe a uma figura ativa também do professor. Nas metodologias ativas de aprendizagem, há uma importante ressignificação dos papéis dos alunos e dos professores. 

Os primeiros, como vimos, passam a assumir uma posição mais central e autônoma para seu desenvolvimento. Já o professor passa a exercer papel de tutor, mediador e motivador de seus alunos, orientando-os, aproveitando o repertório já formado do aluno para estimular sua ampliação, contextualizando conceitos e aproximando-os da realidade do estudante, apresentando desafios e atividades baseadas em propósitos e objetivos de aprendizagem.

Benefícios em se adotar o conceito de aluno protagonista em sala de aula

O novo papel de aluno protagonista, proporcionado sobretudo pelas metodologias ativas de aprendizagem, pode trazer consigo diversos benefícios em relação ao modelo convencional de ensino. Por exemplo:

1. Mais eficiência e consistência no aprendizado 

De acordo com a Pirâmide de Aprendizagem de William Glasser, o aluno protagonista se desenvolve melhor e aprende mais do que o aluno na posição de coadjuvante. Esse psiquiatra americana desenvolveu uma teoria para fundamentar o fato de que trabalhar apenas com memorização do conteúdo favorece o esquecimento desses dados após a aula. 

Já quando o aluno envolve-se ativamente com a aprendizagem, sendo desafiado a resumir, apresentar, compartilhar, estruturar, praticar e demonstrar, por exemplo, ele pode aprender até 95% mais do que quando assume uma posição passiva.

Tudo isso quer dizer que, quanto mais o aluno se relaciona de modo ativo com o conhecimento, mais informações são assimiladas e conhecimentos são construídos e adquiridos. 

2. Senso de responsabilidade e autonomia

O aluno protagonista, por seu novo papel, tende a desenvolver rapidamente o senso de responsabilidade e de autonomia. Diferentemente das aulas tradicionais, nas quais, por vezes, ele estava presente apenas fisicamente, com sua mente divagando enquanto o professor falava, nas aulas com metodologias ativas, ele é, literalmente, chamado à ação. 

Nesses encontros, ele terá de ser participativo e proativo, precisando “correr atrás” para realizar os desafios, projetos e demais atividades propostas. Por tudo isso, o senso de responsabilidade e a autonomia são desenvolvidos naturalmente.

3. Desenvolvimento do potencial criativo

Como já vimos aqui no blog da Red Balloon, a criatividade é a competência número 1 do século XXI. E, quando o aluno é protagonista em seu processo de aprendizagem, ele tende a adquirir e desenvolver essa entre outras competências.

As tarefas propostas pelos professores que ajudam o aluno a ser protagonista demandam que ele “pense fora da caixa”, crie hipóteses, teorias, faça combinações, resolva problemas – tudo isso é combustível para se utilizar o potencial criativo. 

4. Habilidade para trabalhar em equipe e senso de liderança

O aluno protagonista é estimulado a desenvolver diversos projetos em grupo, criando, negociando, apresentando ideias, se comunicando, cooperando, gerando e tendo empatia pelos colegas, ensinando seus pares. E tudo isso ajuda a trazer à tona a habilidade de trabalhar em conjunto e habilidades sociais e de liderança que serão bastante úteis ao longo da vida da criança. 

5. Aprender a aprender

No modelo convencional e passivo, o estudante depende, em boa medida, do professor para aprender algo. Já quando o aluno é protagonista e autônomo, ele começa, desde cedo, a compreender como ele aprende melhor, o que funciona melhor para ele compreender conceitos e aplicá-los à vida real, quais os caminhos para adquirir conhecimento, etc. 

Tudo isso será essencial para seu futuro. Um estudo realizado pelo Instituto para o Futuro (IFTF) apresentou a previsão de que 85% das profissões que existirão em 2030 ainda não foram criadas. Em um cenário como esse, bastante dinâmico, fluido, mutável e que evolui celeremente, quem tiver flexibilidade para reciclar conhecimentos e souber como se adequar rapidamente às novas demandas apresentará um diferencial importante.

Além disso, de modo sucinto, destacam-se também como benefícios potenciais:

  • Empoderamento dos alunos.
  • Motivação para o estudo.
  • Redução do risco de evasão.
  • Desenvolvimento do gosto por aprender.
  • Resultados mais consistentes, profundos e duradouros.
  • Desenvolvimento de valores que ajudarão a formar cidadãos pensantes, críticos, conscientes e participantes ativos da sociedade.

E então, o que você achou da proposta trazida pelo conceito de aluno protagonista? Faz sentido para você? Deixe sua mensagem nos comentários ee siga nossas publicações para saber mais sobre educação infantil e ensino de inglês. Até a próxima!

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